pt Vozes Chinesas
No. 01 | 27.06.2021
A prosperidade compartilhada e a nova missão do Partido Comunista da China
Zheng Yongnian
Zheng Yongnian, Reitor da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais, e Diretor do Instituto Avançado de Estudos Globais e Contemporâneos da China, Universidade Chinesa de Hong kong (Shenzhen).
Antes da grande celebração do Centenário do Partido Comunista da China (PCC), a China pretende transformar a província de Zhejiang em uma zona de demonstração – região designada para testar e avaliar ideias de políticas públicas – para uma “prosperidade compartilhada”. O Professor Zheng descreve “prosperidade compartilhada” como a base da governança do PCC, uma inovação no Marxismo e um avanço do Socialismo. Por que Zhejiang? A razão, como Zheng escreve, “é porque a província já está quase concretizando o desenvolvimento igualitário por meio da redistribuição”. O governo provincial encoraja a população “a ficar rica primeiro” enquanto asseguram serviços sociais básicos, como saúde, educação e moradia para os segmentos mais baixos da sociedade. Enquanto isso, estimula a “classe média” a construir uma estrutura social mais estável.
A China deveria continuar a implementar uma política fiscal e monetária proativa
Yu Yongding
Yu Yongding é um renomado professor de Economia e conselheiro do governo chinês. Ele trabalhou como diretor do Instituto de Política e Economia e Mundial da Academia Chinesa de Ciências Sociais, além de haver atuado no Comitê de Política Monetária do Banco Popular da China de 2004 a 2006.
A inflação estadunidense alcançou no último maio a taxa mais alta em 13 anos, enquanto a mídia ocidental divulgava de forma sensacionalista a expressão “inflação exportada” da China ao resto do mundo. Em maio, os preços na ‘porta da fábrica’ da China cresceram 9% ano-a-ano, a taxa mais alta em mais de 12 anos, o que poderia ensejar uma rápida subida da inflação. No entanto, o Professor Yu Yongding apontou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) chinês em maio teve um aumento de apenas 1,3%, indicando que a economia chinesa ainda está em processo de recuperação. Ao invés da inflação, os economistas estão prestando mais atenção ao fato de que a recuperação econômica está perdendo impulso. Yu sugere que as autoridades chinesas deveriam evitar reagir exageradamente à inflação e fazer com que a política econômica do gigante asiático priorize a implementação de uma política fiscal e monetária de estímulo à demanda agregada.
As relações China-Europa em curso e as suas tendências subjacentes
Wu Baiyi
Wu Baiyi é pesquisador e diretor do Instituto de Estudos Europeus da Academia Chinesa de Ciências Sociais, e um membro do Grupo de Gestão Emergencial do Conselho de Estado da China.
A relação entre a China e a União Europeia (UE) está em perigo após a suspensão do Acordo Compreensivo de Investimentos China-UE. Wu Baiyi afirma que, ao lidar com a competição estratégica entre a China e os Estados Unidos, o objetivo comum dos membros da UE é explorar uma “terceira via” e agir como mediadora entre os dois lados. A longo prazo, essa opção, que não só evita conflitos diretos com as grandes potências, mas também permite que a região se beneficie do jogo entre elas, é do interesse da Europa. Olhando para as posições dos membros da UE, observa-se que Espanha, Portugal, Grécia e Itália tendem a desempenhar o papel de ponte entre a China e os Estados Unidos, aproveitando-se de seus contatos históricos e de sua posição geográfica, ao passo que a Alemanha, a França e outros grandes países dão grande importância à cooperação econômica com a China e não sacrificarão seus principais interesses para seguir os Estados Unidos. Portanto, o autor insiste que a longa tensão entre a busca de “autonomia estratégica” do lado da UE e a demanda por parte dos Estados Unidos de unir a Europa contra a China impõe uma pressão muito maior do que a que a China traz para a Europa.
Por que os EUA estão dificultando as investigações sobre a origem da pandemia
Guancha
Guancha (“Observador”, www.guancha.cn) é a principal plataforma de mídia não-estatal na China. Traz notícias e artigos sobre política e sociedade chinesas, com um olhar global.
Tanto políticos, como a mídia ocidental, continuam a promover a teoria infundada de que o coronavírus teve sua origem em um laboratório chinês. Em resposta às acusações estadunidenses, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China Zhao Lijian apelou duas vezes na semana passada para uma investigação minuciosa nos Estados Unidos, a fim de averiguar o porquê de o país – com 33 milhões de casos confirmados e 600 mil mortes – haver falhado em lutar contra a epidemia. Isso inclui descobrir quem foi o responsável e revelar os fatos verdadeiros sobre Fort Detrick e os mais de 200 laboratórios biológicos dos Estados Unidos no exterior com vírus e doenças perigosas. O artigo da Guancha aponta que as atividades militares de guerra biológica por parte dos Estados Unidos em todo o mundo após a Segunda Guerra Mundial têm representado uma ameaça à segurança pública global. As pesquisas não divulgadas dos Estados Unidos sobre armas biológicas, além de sua inércia durante a pandemia, tornam o país uma preocupação para a comunidade internacional.
A cúpula Biden-Putin e seu impacto sobre a China
Zhan Hao
Zhanhao é um conhecido escritor das redes sociais, com um grande número de seguidores, tanto no Wechat como no Weibo. Seus artigos de opinião sobre finanças e assuntos atuais, muitas vezes com uma postura patriótica, frequentemente recebem ampla atenção e apoio dos leitores chineses.
O encontro dos presidentes Biden e Putin no dia 16 de junho tinha o propósito de dividir a China e a Rússia. Biden ofereceu “cooperação” com a Rússia em questões como segurança cibernética, enquanto ameaçou-a de “retaliação” caso não o faça – sugerindo que a OTAN, liderada pelos Estados Unidos, poderia reduzir sua restrição à Rússia para se concentrar na China. Zhanhao argumenta que essa cúpula pode estabilizar temporariamente as relações Rússia-EUA, mas não é realista falar em compromissos substanciais, devido à desconfiança estratégica básica que existe entre ambos os países. Aliviar a tensão entre a Rússia e os Estados Unidos, se possível, permitiria que estes aumentassem seu foco sobre a China. Sob essa circunstância, a China adotaria plenamente contramedidas em face dos Estados Unidos, os quais poderiam ter menos força que o esperado.

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