pt Vozes Chinesas
No. 37 | 20.03.2022
Jia Wenqi e Jia Haixia, ambos com deficiência, plantaram 13.000 árvores ao longo de 14 anos [Foto/NEWS.CN]
Como a China se tornou o país que mais contribui para o crescimento das florestas no mundo
Liu Min
Liu Min (刘珉) é pesquisador do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento Econômico da Administração Nacional de Florestas e Prados
Hu Angang
Hu Angang (胡鞍钢) é professor e diretor do Instituto Nacional de Pesquisa da Universidade de Tsinghua

Contexto

O rápido desenvolvimento econômico da China tem sido associado a problemas ambientais que vêm suscitando muitas críticas. No dia 12 de março, o 44º Dia da Árvore na China, Liu Min e Hu Angang se valeram de dados detalhados para mostrar as conquistas menos conhecidas da silvicultura chinesa e as razões que as impulsionaram.

Pontos-chave

  • De 1990 a 2016, a cobertura florestal e o sumidouro de carbono globais – a capacidade de as florestas absorverem e armazenarem dióxido de carbono – entraram num período de declínio contínuo. Durante o mesmo lapso temporal, a China aumentou sua superfície florestal em 553 mil quilômetros quadrados líquidos, o equivalente a 3,8 vezes da expansão registrada pelos Estados da OCDE no mesmo período. Em contraste, os países do Sul Global (excluindo a China) diminuíram sua área florestal em 2,202 milhões de quilômetros quadrados líquidos. Dessa forma, as contribuições reais da China para o crescimento da cobertura florestal e para a capacidade dos sumidouros de carbono no âmbito global alcançaram 41,8% e 247,1%, respectivamente.
  • A cobertura florestal da China atingiu 22,96% em 2020, com oito províncias excedendo 60%, excedendo significativamente a média dos países da UE (39,8%). A China assumiu a liderança entre os países em desenvolvimento ao passar de um déficit florestal para um excedente florestal.
  • A China tem envidado esforços de longo prazo em processos de florestamento e reflorestamento. Os "Três Projetos do Norte" (1978-2050), por exemplo, arborizaram 46,1 milhões de hectares e se tornaram a "Grande Muralha Verde" no norte do país.
  • O plano de reflorestamento permite que os recursos florestais naturais descansem e se recuperem. Depois das inundações de 1998, supostamente ligadas ao desmatamento, a China introduziu o mais rigoroso sistema de gestão de terras e medidas para proteger as florestas e as pastagens.
  • Sob a estrutura do plano quinquenal, o investimento nacional na construção ecológica tem aumentado. Até 2020, a China já havia investido 430 bilhões de Yuanes em silvicultura, 400 vezes mais do que no início da Reforma e Abertura, em 1978.
  • A partir de 1982, a China lançou uma campanha nacional de plantio voluntário de árvores, e até dezembro de 2021, 78 bilhões de árvores foram plantadas, revelando a superioridade do sistema político socialista.
  • A China tem promovido ativamente a reforma florestal para desenvolver a produtividade ecológica. A reforma do sistema coletivo de direitos florestais concede direitos de uso a indivíduos, emitindo certificados de direitos florestais ou certificados de ações em papel, e inspira o entusiasmo dos camponeses; o período de 70 anos de contrato de terras florestais permite aos agricultores plantar árvores sem se preocupar com a propriedade.

Resumo

Os autores assinalam que a China experimentou um caminho de desenvolvimento que vai desde a exploração madeireira, principalmente, até a colheita e o plantio, passando por contribuições incríveis para as florestas do mundo através da proteção ecológica e do florestamento. Há lições dolorosas e experiências de sucesso. O aprimoramento do sistema socialista com características chinesas e a consistência das decisões centrais desempenharam um papel chave na concretização de um verdadeiro milagre verde nas florestas da China. Os autores estimam que entre 2020 e 2060, o sumidouro de carbono da China aumentará em 22,74 bilhões de toneladas, tornando-o o maior do mundo.

A conjuntura energética internacional por trás da Guerra Rússia-Ucrânia
Bi Jingyue
Bi Jingyue (毕竞悦) é economista e pesquisadora da China Energy Investment Corporation (China Energy)

Contexto

À medida que a recente guerra entre a Rússia e a Ucrânia se agrava, o mercado mundial de energia está passando por enormes tensões. A autora aponta a dramática realidade do panorama energético global por trás da guerra e a urgência da construção de uma comunidade unida por parte dos países em desenvolvimento para tratar das questões de equidade e justiça energética global, por um lado, e corrida por influência no setor, por outro.

Pontos-chave

  • Dentro do panorama global anterior, o capital fluía de países ricos para países pobres, enquanto os recursos se movimentavam na direção oposta. No entanto, o fluxo de energia está se invertendo devido ao crescimento dos países em desenvolvimento. BP, uma empresa do segmento do petróleo, estima que eles vão passar a responder por mais de 90% da demanda global de energia até 2030.
  • A turbulência no mercado energético mundial tem criado mais desafios para os países em desenvolvimento. Tanto o aumento dos custos de energia quanto o consequente aumento dos custos de mão-de-obra têm afetado negativamente as vantagens de preço no mercado.
  • Os países desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos, estão se utilizando de sua vantagem nas relações internacionais para estabelecer novas regras para sua segurança energética. Enquanto isso, embora os países em desenvolvimento tenham ficado mais ricos, eles ainda não encontraram voz na arena internacional. Dessa forma, seu crescimento será limitado por sua crescente dependência das importações de energia.
  • Os países desenvolvidos transferiram indústrias em decadência e de energia intensiva para os países em desenvolvimento, melhorando seu meio ambiente, mas também colocaram os países em desenvolvimento sob maior pressão ambiental e energética.
  • A segurança energética se baseia no poder político e militar que um Estado pode exercer. Negociações e consultas internacionais apresentam elites políticas cujos pontos de vista provavelmente não se conciliam com a situação dos mais pobres e mais vulneráveis.
  • As pessoas poderiam apoiar verbalmente a proteção ambiental, mas essa persuasão moral enfraqueceria quando se tratasse de seus interesses de sobrevivência e desenvolvimento. O direito à subsistência é proeminente nesse dilema.

Resumo

A autora acredita que, embora a globalização tenha por objetivo "integrar recursos e mercados", em vez disso criou nacionalismo de recursos e inviabilizou o direito de fala dos países em desenvolvimento no comércio internacional. A globalização tem a ver com coagir os países em desenvolvimento a aderir e jogar de acordo com as regras do jogo dos países desenvolvidos. A justiça local deverá prevalecer até que a justiça global seja possível, e uma comunidade unida deverá ser construída para dar voz aos países em desenvolvimento.

Por que a China dá prioridade à segurança alimentar?
Shi Lei
Shi Lei (石磊) é professor de Economia na Faculdade de Economia da Universidade de Fudan

Contexto

A produção total de grãos da China alcançou sua 18ª safra consecutiva abundante em 2021, atingindo 1,37 trilhão de jin (685 bilhões de quilos), embora apenas tenha aumentado 2% em relação a 2020. Por outro lado, as importações de grãos do país asiático aumentaram 18,1% em 2021. O Relatório de Trabalho do Governo divulgado durante as "Duas Sessões" deste ano enfatizou novamente a importância de garantir a segurança alimentar nacional e de assegurar que mais de 1,4 bilhão de chineses sejam alimentados. Em uma entrevista, Shi Lei assinalou que a segurança alimentar da China não está em perigo, mas ainda enfrenta desafios.

Pontos-chave

  • A produção total de alimentos da China vem desacelerando, e alguns produtos são excessivamente dependentes do mercado internacional. Além disso, os riscos à qualidade dos alimentos, tais como a segurança dos alimentos transgênicos, bem como a grave escassez de terras cultiváveis per capita do país são as razões pelas quais o governo chinês atribui grande importância à segurança alimentar.
  • A China é essencialmente autossuficiente em alimentos básicos, mas algumas categorias como soja (85,5%, 2021) e milho são altamente dependentes de importações; outras categorias são excessivamente dependentes de certas regiões geográficas, o que coloca o país em uma posição de risco, caso ocorram conflitos geopolíticos. Por exemplo, as importações de soja dependem muito dos Estados Unidos, e o trigo é importado, em grande parte, do Canadá.
  • Além dos alimentos básicos (carboidratos), alimentos protéicos, como carne, leite e ovos, bem como substitutos alimentares, a exemplo de alguns vegetais e frutas, também deveriam ser incorporados ao sistema nacional de segurança alimentar.
  • Apesar da estrita adesão da China à linha vermelha de 1,8 bilhão de mu (120 milhões de hectares) de terras aráveis, algumas terras rurais ainda restam por cultivar. Além de fornecer subsídios, os governos locais deveriam proteger e utilizar a terra, combinando tecnologia, capital e mão-de-obra a fim de promover o aumento tanto da produção agrícola quanto da renda dos camponeses.

Resumo

Em 2014, a China estabeleceu uma estratégia nacional de segurança alimentar baseada na “produção interna de grãos, garantia de capacidade produtiva de alimentos, importações moderadas e apoio tecnológico”. Shi Lei ressalta que, embora esses aspectos ainda estejam em desenvolvimento, um desequilíbrio ainda persiste. Por exemplo, alguns governos locais se concentram no crescimento do PIB e na atração de investimentos, em vez de estarem ativamente engajados na agricultura para assegurar a produção estável de grãos. Além disso, devido à baixa eficiência de grãos, seus preços internos são 40% a 70% mais altos do que os praticados no mercado interno de outros países. Alguns acreditam que a China não precisa enfatizar a autossuficiência na produção de grãos, mas resolver o problema por meio do comércio exterior. O autor, no entanto, refuta o conceito de que a segurança alimentar é apenas uma questão de economia, sendo antes a base da segurança nacional.

Laboratórios biológicos financiados pelos EUA na Ucrânia e sua história vergonhosa
The Liaowang Institute
O Instituto Liaowang (瞭望智库)é um centro de pesquisa de políticas públicas focado em políticas econômicas e sociais, bem como em questões globais; faz parte da Agência de Notícias Xinhua

Contexto

A Rússia anunciou recentemente a descoberta de 30 laboratórios biológicos estadunidenses e documentos relacionados na Ucrânia. No dia 8 de março, Victoria Newland, Subsecretária de Estado dos Estados Unidos para assuntos políticos, admitiu que a Ucrânia tem "instalações de pesquisa biológica". O Instituto Liaowang revela informações sobre mais de uma dúzia de laboratórios biológicos estadunidenses na Ucrânia, e a perigosa "história" do desenvolvimento de armas biológicas ofensivas, bem como da realização de testes humanos extensivos desde o início do século XX.

Pontos-chave

  • Informações do website da Embaixada dos Estados Unidos na Ucrânia indicam que o país norte-americano investiu um total de mais de US$24 milhões em 12 laboratórios biológicos próprios no país europeu, localizados pelo laboratório de notícias via satélite da Agência de Notícias Xinhua. Embora as agências governamentais ucranianas também sejam parceiras em tais laboratórios biológicos, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos é seu principal titular.
  • O mesmo website também mostra que o "Programa de Redução de Bioameaças" dos Estados Unidos nos laboratórios ucranianos abrange pesquisas relacionadas com vírus altamente letais como a febre hemorrágica do Congo e o hantavírus. Informações divulgadas pelo Ministério da Defesa russo indicam que o programa estadunidense R-781 no laboratório de Kharkiv perto da Rússia também abrange pesquisas sobre patógenos bacterianos e virais transmitidos de morcegos para humanos. De acordo com o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), o COVID-19 está associado a outros coronavírus conhecidos por serem transmitidos por morcegos.
  • Atualmente, as forças armadas dos Estados Unidos possuem mais de 200 laboratórios biológicos em 25 países ao redor do mundo envolvidos na pesquisa e desenvolvimento de armas biológicas, como patógenos perigosos. O país norte-americano também é o único que, até agora, vem bloqueando vigorosamente a reabertura das negociações sobre um protocolo de verificação para a Convenção sobre Armas Biológicas.
  • Os Estados Unidos vêm desenvolvendo ativamente armas biológicas ofensivas e conduzindo inúmeras experiências humanas antiéticas. Na véspera dos Julgamentos de crimes de guerra de Tóquio após a Segunda Guerra Mundial, os japoneses forneceram aos Estados Unidos uma grande quantidade de informações sobre a guerra bacteriológica e testes humanos realizados pela Unidade 731 do Japão, em troca da exoneração de seus crimes de guerra.
  • A fim de manter sua "superioridade absoluta", os Estados Unidos há muito adotam práticas dúbias: por um lado, promovem ativamente o controle de armas bioquímicas e o desarmamento por outros países; por outro, desenvolvem vigorosamente a capacidade de guerra biológica sob o pretexto de "biodefesa" para escapar do controle internacional de armas e do desarmamento.

Resumo

O artigo discute como os Estados Unidos vêm desrespeitando o direito e as normas internacionais e conduzindo experimentos biológicos perigosos em países ao redor do mundo, inclusive na Ucrânia, o que não só consiste em um ato extremamente imoral e antiético, como também coloca os demais Estados em uma situação perigosa e arriscada. Em razão disso, todos os países do mundo deveriam estar em alerta máximo, e instar fortemente os Estados Unidos a reiniciarem as negociações sobre o protocolo de verificação da Convenção sobre Armas Biológicas, assinando-o o quanto antes, bem como a aceitarem auditoria, conforme estipulado na própria Convenção.

Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa e a formação do Pensamento de Mao Zedong
Shi Zhongquan
Shi Zongquan (石仲泉) é ex-vice-diretor do Escritório de Pesquisa de História do Partido do Comitê Central do Partido Comunista da China

Contexto

O pensamento de Mao Zedong formou-se inicialmente durante o estabelecimento da Base Revolucionária na Montanha Jinggang, amadurecido por meio da prática e sistematização revolucionárias durante a Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa. Foi formalmente estabelecido como a ideologia norteadora de todo o Partido no Sétimo Congresso do PCCh, em 1945. Shi Zhongquan resume as razões e principais manifestações do desenvolvimento do Pensamento de Mao Zedong, considerado como o primeiro grande salto na história da sinicização do Marxismo, durante o tempo da guerra.

Pontos-chave

  • Desde a fundação do Partido até a Guerra Anti-Japonesa, as reviravoltas durante a Grande Revolução Chinesa (大革命 dà gé mìng) (1924-1927) e a Guerra da Revolução Agrária (1927-1937) lançaram as bases históricas para o desenvolvimento do Pensamento de Mao Zedong.
  • Após a eclosão da Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa, as contradições entre o imperialismo japonês e a nação chinesa se tornaram o principal conflito, enquanto a discórdia entre várias classes internas e facções políticas se intensificou. O Pensamento de Mao Zedong foi o resumo teórico dessas experiências concretas.
  • O Pensamento de Mao Zedong foi a base teórica tanto para o exército popular quanto para a guerra popular. Mao enfatizou o princípio de que o Partido comanda a arma. Depois do começo da guerra anti-japonesa, ele destacou a estratégia militar de defesa ativa, abrangendo três formas de guerra: guerra de movimento, guerra de posição, e guerra de guerrilha.
  • Mao desenvolveu a teoria da Frente Unida. Ele enfatizou o princípio da independência, insistiu na liderança revolucionária do proletariado, propôs "desenvolver forças progressistas, lutar por forças intermediárias e contra forças teimosas", e adotou a estratégia de unidade e luta, buscando a unidade por meio da luta contra o Kuomintang.
  • Mao formulou uma teoria da Nova Democracia abrangente. Ele enfatizou a importância do fomento da indústria, da economia e da produtividade, "Os imperialistas japoneses ousaram intimidar a China porque nosso país não tinha uma indústria forte, e se não pudermos resolver os problemas econômicos, estabelecer novas formas de indústria, e desenvolver as forças produtivas, o povo não necessariamente nos apoiará".

Resumo

"Buscar a verdade a partir dos fatos" é a "essência" do Pensamento de Mao Zedong, o qual Deng Xiaoping defendeu: "Contávamos com ele no passado para travar guerras, e agora devemos confiar nele para o desenvolvimento". Ele também salientou: "Não devemos violar o Marxismo-Leninismo, e os princípios básicos do Pensamento de Mao Zedong em momento algum". Passados mais de 70 anos, o Pensamento de Mao Zedong vem orientando a construção do Socialismo com Características Chinesas na nova era, e será sempre a mais valiosa riqueza espiritual não só do Partido, como também de todo o exército e do povo chinês.

(O “Vozes Chinesas” continuará a interpretar o contexto histórico e a lógica de desenvolvimento da sinicização do Marxismo)

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