pt Vozes Chinesas
No. 51 | 10.07.2022
Taiwan faz parte da China, independentemente do que os EUA afirme [China Daily]
As linhas vermelhas da China em Taiwan são nítidas, independentemente da política de ambiguidade estratégica dos EUA
Zhou Bo (周波)
Como membro sênior do Centro de Segurança e Estratégia Internacional da Universidade de Tsinghua, o Coronel Sênior (reformado) Zhou Bo tem sido uma voz frequente na mídia internacional. Zhou foi diretor do Centro de Cooperação em Segurança do Escritório de Cooperação Militar Internacional do Ministério da Defesa Nacional da China.

Contexto:

Durante sua visita a Tóquio no final de maio, Biden afirmou que os EUA defenderiam Taiwan se fosse atacado pela China. Essa aparente gafe provocou um debate sobre se os EUA estão se afastando de sua política de longa data em relação a Taiwan. No entanto, não foi a primeira vez que Biden enviou “sem querer” sinais errados sobre a questão de Taiwan. O autor sugere que as repetidas “gafes” de Biden precisam ser levadas a sério, e que qualquer intenção oposta ao Princípio de Uma Só China não pode ser tolerada.

Pontos-chave:

  • Apesar de o Exército de Libertação Popular (ELP) ter três porta-aviões e mais navios do que a Marinha dos EUA, Biden continua insistindo em provocar uma guerra com a China, à diferença de sua atitude em relação à Rússia, que é a de evitar o conflito direto. A razão para isso provavelmente esteja no fato de que Moscou ameaçou a Otan com ataques nucleares, enquanto Pequim promete que nunca será a primeira a usar armas nucleares em nenhuma circunstância. Se isso for verdade, Pequim pode ter que mudar sua doutrina militar oficial de ter um arsenal nuclear “pequeno e eficaz” para um de grande escala para, em tese, possibilitar um segundo ataque de retaliação eficaz após sobreviver a um primeiro ataque do inimigo.
  • A suposta gafe de Biden em Tóquio a terceira em nove meses parece sinalizar uma política crescente dos EUA de “clareza estratégica” na questão de Taiwan, o que representa uma mudança em sua política de décadas de “ambiguidade estratégica”. No entanto, a China tem forte confiança na eventual reunificação pacífica com Taiwan, o que fica demonstrado em seu orçamento de defesa para 2022, que se mantém dentro dos 2% do PIB, como tem sido nos últimos anos.
  • Seguindo a Lei Antissecessão da China de 2005, que declarou que qualquer ação separatista de Taiwan é ilegal e punível, o governo nunca permitiria a "independência de Taiwan". A possibilidade de o país recorrer a meios não pacíficos para se reunificar com Taiwan só existe porque, nos últimos anos, Washington vem tentando criar, de forma reiterada, “incidentes” para impedir os esforços do continente de se reunificar pacificamente. Os “incidentes” deram a Pequim uma boa razão para suspeitar que o respeito de Washington ao princípio de Uma China não passa de promessa vazia.
  • A reunificação com Taiwan é um dos principais interesses da China. Isso significa que o ELP não pode se permitir perder uma guerra que luta pela soberania da China. O ELP estará preparado para quaisquer conflitos que os EUA queiram liderar no Estreito de Taiwan e lutará até o fim para impedir a secessão de Taiwan.
A Nova Economia da China: há 20 anos e daqui a 20 anos
Eric Li (李世默)
Eric Li é cientista político, presidente do Conselho Consultivo do Instituto da China da Universidade Fudan e fundador e sócio-gerente da Chengwei Capital. Ele também é o fundador do Guancha — a mais influente plataforma de mídia de esquerda, não governamental, para assuntos atuais e da política na China. Eric Li é um autor famoso, que escreve artigos em que explica o sistema político chinês e sobre governança comparada no mundo anglófono. Seus dois últimos artigos são “Sobre o sucesso da China, o fracasso dos Estados Unidos e a rivalidade irracional” (The Wire China, novembro de 2020), e “Sobre o fracasso da democracia liberal e a ascensão do caminho chinês” (The Economist, dezembro de 2021).

Contexto:

Atualmente, a economia mundial está enfrentando uma pressão descendente e o desenvolvimento econômico doméstico da China está enfrentando muitos desafios. Em seu discurso na Conferência Global de Capital de Risco de 2022, Eric Li discutiu as características do desenvolvimento da Nova Economia da China nas duas primeiras décadas do século XXI e as mudanças esperadas para as duas seguintes.

Pontos-chave:

  • A primeira fase do desenvolvimento da Nova Economia foi de 2000 a 2019 e foi caracterizada por menos regulação estatal do capital, ou seja, o Estado apoiou o rápido crescimento econômico e o capital cresceu com a expansão da escala econômica; no entanto, o investimento em pesquisa e desenvolvimento cresceu de forma relativamente lenta. A nova economia digital foi impulsionada menos pela tecnologia e mais pela maximização dos benefícios externos criados pelo Estado socialista, como o aumento da renda disponível das pessoas, a melhoria na logística e transporte e a expansão da infraestrutura de informação digital. O Estado teve que absorver todos os impactos sociais negativos, incluindo o aumento na diferença de renda.
  • A partir de 2020, a nova economia caracteriza-se por um significativo aumento da regulação estatal do capital, o que significa que tanto investidores como empresários da Nova Economia devem seguir os princípios definidos pelo Estado de promoção do “desenvolvimento de qualidade” e de "sociedade inclusiva".
  • Eric Li sugere que os investimentos neste novo período se concentrem em três prioridades: 1) otimização inteligente da cadeia de suprimentos, 2) substituição de importações de tecnologias, especialmente em áreas como fabricação de chips específicos industriais e 3) desenvolvimento sustentável, especialmente em relação àquelas tecnologias que facilitam o uso de energia verde.
  • O setor chinês de investimentos não deve perseguir cegamente o jogo das finanças na nova economia. Devem estar atentos ao desenvolvimento qualitativo da economia, com base numa compreensão mais profunda de toda a cadeia de suprimentos.
  • Os empresários, e especialmente os tomadores de decisões de investimentos, devem alinhar os benefícios dos retornos de seus investimentos aos interesses do país e o bem-estar do povo e contribuir para o desenvolvimento sólido da economia de mercado socialista.

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