pt Vozes Chinesas
No. 56 | 14.08.2022
Nancy Pelosi em encontro com líder regional Tsai Ing-wen, durante sua visita a Taiwan [Profimedia]
Como a visita de Pelosi a Taiwan permitiu que a China redefinisse as regras do jogo
Míng Jīnwéi (明金维)
Ming Jinwei trabalhou como correspondente estrangeiro para a Agência de Notícias Xinhua na principal agência do Oriente Médio, no Cairo, e como diretor adjunto (2008) do Escritório de Finanças do Departamento Internacional. Depois de sair da Xinhua, o autor tornou-se um famoso blogueiro, sob o nome de “Tio Ming” (明叔), e é popular nas redes sociais chinesas.

Contexto:

A presidenta da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, terceira política mais poderosa do aspaís, visitou Taiwan, apesar da forte oposição e das múltiplas advertências da China a respeito. No entanto, Ming Jinwei acredita que a visita de Pelosi, cujo objetivo era impulsionar o movimento separatista de Taiwan, é uma oportunidade que permite que a China redefina as regras do jogo como forma de responder adequadamente à agressão dos Estados Unidos, além de acelerar o processo de reunificação nacional.

Pontos-chave:

  • O Exército de Libertação Popular (ELP) era plenamente capaz de abater o avião de Pelosi; mas se o avião tivesse sido abatido, a consequência poderia ter sido um conflito militar direto entre os Estados Unidos e a China, o que poderia ter levado à Terceira Guerra Mundial. O objetivo tanto do ELP quanto da República Popular da China (RPC) é, antes de tudo, a reunificação da China sem entrar em guerra com os Estados Unidos. A China só se envolverá militarmente com os Estados Unidos se eles tentarem impedir pela força a reunificação da China.
  • Permitir a aterrissagem do avião de Pelosi em Taiwan também mostrou que o foco da China não era impedir sua visita a qualquer custo, mas conquistar uma posição estratégica mais favorável na luta militar contra o movimento separatista de Taiwan. A resposta da China à visita é análoga à sua reação ao chamado evento de nacionalização das Ilhas Diaoyu, feito pelo Japão em 2012. Nesse caso, a estratégia da China não foi tomar as ilhas imediatamente e provocar uma guerra com o Japão. Em vez disso, a China escolheu uma resposta tardia, mas mais persistente, que foi enviar navios da Guarda Costeira para patrulhar de forma regular as águas territoriais das Ilhas Diaoyu. Com essa estratégia, a China tem acesso frequente às 12 milhas náuticas ao redor das ilhas e tem defendido seu direito à soberania.
  • A partir do momento em que Pelosi pisou em território chinês — na província de Taiwan — as regras do jogo mudaram: a chamada "linha do meio” do Estreito de Taiwan foi eliminada, como indicado pelos seis locais designados para os exercícios militares do PLA. Diante do crescente conluio entre os Estados Unidos e o movimento separatista de Taiwan, a China finalmente decidiu romper o acordo tácito e suas restrições em relação à "linha do meio".
  • A reunificação de Taiwan com a China é um de seus principais objetivos estratégicos. Já os Estados Unidos estão usando o movimento separatista para minar e reduzir a velocidade do desenvolvimento da China. Isso significa que a determinação estratégica e os recursos que a China e os Estados Unidos podem dedicar a essa questão não têm a mesma magnitude. Portanto, se há um lado que é um "tigre de papel", são os Estados Unidos.
  • Para resolver a questão de Taiwan de uma vez por todas, o governo central deve escolher o momento mais adequado para fazer avançar os interesses nacionais da China. Muitos chineses podem se sentir sufocados durante esse período de espera. Mas esta não é a primeira vez que o governo central tem que esperar para implementar a melhor opção estratégica. Em 2019, durante as violentas ondas em Hong Kong, muitos exigiram que o governo "reprimisse". No entanto, o governo central, em vez disso, introduziu a "Lei de Segurança Nacional", cuja implementação levou quase um ano, mas que foi uma resposta definitivamente estratégica e muito mais eficaz. Graças à imprudente visita de Pelosi, a China ganhou agora o impulso histórico para redefinir as regras do jogo na luta pela reunificação!
Três lições da visita de Pelosi a Taiwan
Huáyǔ Think Tank (华语智库)
O Huayu Think Tank (Huayu), fundado em fevereiro de 2017, reúne mais de 160 especialistas e estudiosos de alto nível dos meios de comunicação (especialmente da Agência de Notícias Xinhua), dos departamentos militares e do serviço diplomático da RPC, das instituições de pesquisa e das principais universidades, entre outros. Desde sua criação, Huayu tem lutado conscientemente para proteger os interesses nacionais da China e tem tido um impacto positivo na sociedade.

Contexto:

Como resultado da insistente visita de Pelosi a Taiwan, o autor do artigo identificou três pontos principais nos quais a China deveria prestar atenção ao formar sua estratégia de reunificação com Taiwan e, especialmente, sua atitude em relação à interferência dos Estados Unidos.

Pontos-chave:

  • Primeiro, o fato de Pelosi ter visitado Taiwan apesar dos reiterados duros protestos e sérias advertências da China, é um indicativo de que, aos olhos dos Estados Unidos, a China ainda não possui poder de dissuasão suficiente. Sua visita a Taiwan violou seriamente os interesses centrais da China, e o país deve definir calmamente sua resposta estratégica retaliatória.
  • Em segundo lugar, a visita de Pelosi prova que os Estados Unidos podem estar dispostos a entrar em guerra com a China por causa da questão de Taiwan. Embora os Estados Unidos tenham tomado a posição de não participar militarmente de forma direta no conflito ucrano-russo devido aos riscos de uma guerra nuclear, alguns dizem que os Estados Unidos temem um conflito militar direto com outras potências nucleares. Portanto, não desafiarão a China militarmente para defender Taiwan. O autor acredita que essa avaliação é perigosa e que poderia paralisar a prontidão da China para o combate. A China deve se preparar para enfrentar a hostilidade dos Estados Unidos, como o fez na Guerra da Coréia, resistindo à aliança de agressão liderada pelos Estados Unidos. O interesse central dos Estados Unidos é a hegemonia global, e a China é o único país que tem o potencial de desafiá-los em todas as frentes. Portanto, o futuro indica que os Estados Unidos, definitivamente, vão provocar cada vez mais a China, e que um grupo de aliados dos EUA os seguirão nesse caminho perigoso.
  • Em terceiro lugar, à medida que o jogo estratégico entre a China e os Estados Unidos se aprofunda em todas as direções e atinge níveis superiores, com o passar do tempo, a possibilidade de uma reunificação pacífica se reduz drasticamente. A visita de Pelosi a Taiwan deixou claro que a solução da "questão separatista de Taiwan" dependerá em última análise apenas da força militar; uma decisão que não poderá ser adiada por muito mais tempo. Os Estados Unidos forçaram a China a agir antes do tempo, e com sua interferência explícita na soberania chinesa, acabou determinando a forma militar da reunificação.

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